Estamos na época dos figos. Eu vejo-os nas fotografias e nas mesas de outros. E eu também os tenho na minha. (mas...) Não são os teus. Não os quero, não os como. São-me levados com carinho e aceito-os com gratidão. Mas não são os teus avô. Já te tinha dito?
Queria poder subir à placa com o vosso olhar de medo. Sei agora vê-lo (não via). O vosso olhar era apesar do medo, um olhar seguro, e eu era segura por vos ter ali a darem-me certeza das minhas certezas (ou nas que eu acredito). Uso um pleonasmo para vincar tudo aquilo que vocês foram um dia e duas das coisas que vocês serão todos os dias para sempre: Segurança e certeza na minha vida. A figueira tapava a placa frágil, os ramos apoderavam-se a pouco e pouco dos pequenos degraus que me faziam chegar a ela e eu insistia chegar lá para poder comer figos pingo de mel directamente da árvore. Desde que não tenho o vosso olhar para me ver subir, que não lhes tomo o sabor, que os olho com saudades, mas talvez sejam estas apenas vossas, nunca deles.
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terça-feira, 8 de setembro de 2015
segunda-feira, 27 de abril de 2015
[Acredito em finais felizes]
Sabem a casa onde viveram durante mais de 60 anos? Sabes avó a casa que já era do teu pai? Aquela onde criaste o teu irmão como se teu filho fosse quando a Guerra quase o levou. Sabes avô aquela onde entravam todos os dias dezenas de pessoas à tua procura? Aquela onde tu viste os teus filhos crescerem. Sabes avó aquela cafeteira já negra de tanto uso? Aquela onde tua fazias a melhor cevada que eu alguma vez bebi. Sabes avô aquele jardim que tu mantinhas florido todo o ano? Aquele onde delimitavas o espaço com canas para eu não estragar uma única flor. Sabes avó aquela broa frita que tu me fazias com a broa que sobrava? Aquela que eu nunca comeria se não fosses tu a fazê-la. Sabes avô aquela gamela onde tu amassavas a massa da broa? Aquela que eu tanto queria para brincar como se fosse plasticina. Sabem avós esta casa onde vivemos tudo isto? Onde fomos sempre tão felizes? Não é nada do que já foi um dia. Sabes avó, começou por ruir quando te mudaste da terra para o céu. Sabes avô, ruiu por completo quando chegou a hora de também tu te mudares. Acredito que seguiste as pisadas da pessoa que amaste durante uma vida e acredito em finais felizes.
domingo, 19 de abril de 2015
[Faz de conta] As melhores histórias não têm fim. ♥
Deslizei da minha cama para a vossa. Bem sei avô, que daqui a nada (muito pouco) vais ter que te levantar. É muito cedo, mas mais cedo ainda consegui eu esgueirar-me para o vosso meio. Agitei-vos a madrugada. É o único momento em que a atenção é toda minha. Parecemos poucos, mas para estes efeitos, somos muitos. Reclamo a vossa atenção entre uma e outra parvoíce minha. Já chegou a hora de te levantares avô. O relógio não deu qualquer tipo de alerta, mas ao de leve olhaste os ponteiros, e tu próprio sentes a hora certa da obrigação. A avó fica mais um bocadinho comigo. Ocupo agora o teu lugar na cama. Só até serem horas dela ir meter o café ao lume. A avó já me tem. Já me aconchegou contra ela. E eu olho-a. Ela é bonita avô. Sei porque a escolheste. Os teus olhos e o teu coração não te enganaram. Até a dormir ela sorri.
[As melhores histórias não têm fim.]
[As melhores histórias não têm fim.]
domingo, 5 de abril de 2015
Desta versatilidade da vida.
Já faz um ano que respirava cada fracção de segundo com dificuldade e medo de te perder. E perdi.
Com noção, digo agora, de que dei a volta. Desdobrei-me.
Os dias voltaram ao que eram antes. A minha respiração acalmou, deixou de ser sofrida. Voltaram-se a colocar os sorrisos no rosto e o orgulho em ti à frente de tudo quanto eu deixei que fosse obstáculo um dia. Existem histórias de amor que duram para sempre, mas eu não vou deixar que os dias maus tenham o mesmo destino e durem também eles para sempre! Ao meu avô. De quem tenho saudades, para sempre. Como o amor.
domingo, 28 de dezembro de 2014
Eles são o que eu acreditar.
Primeiro, pensei em não tocar neste assunto este Natal. Mas na verdade, acho que preciso de o fazer. Todos os anos, de há 4 anos para cá, que lhe toco, que me toca. No coração, na alma, nas lembranças, na memória. A minha avó agora vive lá em cima. A minha avó é uma estrela. A minha avó é um anjo. A minha avó é aquilo que eu acreditar que ela é- porque eu sei quem ela sempre foi.
Quis este ano trazer também a ausência do meu avô neste dia. O meu avô agora vive lá em cima. O meu avô é uma estrela. O meu avô é um anjo. O meu avô é aquilo que eu acreditar que ele é-porque eu sei quem ele sempre foi.
[posso entender. mas não tenho que aceitar.]
Quis este ano trazer também a ausência do meu avô neste dia. O meu avô agora vive lá em cima. O meu avô é uma estrela. O meu avô é um anjo. O meu avô é aquilo que eu acreditar que ele é-porque eu sei quem ele sempre foi.
[posso entender. mas não tenho que aceitar.]
sábado, 1 de novembro de 2014
Os presentes que nunca se esperam. Mas que chegam!
É verdade que há sempre um renascer das cinzas. Nas mais diversas situações pelos mais diversos motivos. A suculenta que fotografei(post anterior), não com uma qualidade XPTO, e muito menos com o ângulo perfeito, a luz e mais umas quantas coisas, mas à minha maneira, e com o maior amor, foi-me dada pelo meu avô. Só por isso, ela é para mim um bebé de colo. Mas a maior recompensa foi a que ela me deu agora. Meses depois do meu avô falecer, ela deu-me o que até aí nunca me havia dado: Flores!
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Não nunca, me esqueci de ti (vocês).
Hoje acordarias cedo, ainda madrugada. Quem sabe acordaria contigo. Não acordavas com as galinhas. A hora delas era tarde para ti. Não me engano. Irias buscar lenha, os paus mais pequeninos, e trarias no teu regaço. Punhas lume ao forno. Na hora de meter a broa a cozer, o forno tinha que estar com a temperatura certa. Amassavas a massa com as tuas próprias mãos e deixavas a levedar. Só depois, tomavas o café de cevada feito ao lume na cafeteira de alumínio e comias pão com planta, às vezes também uma sardinha assada, às vezes outras coisas. A avó iria estar ao teu lado a dar-te a quantidade de massa certa para as broas grandes e a quantidade de massa certa para as broas pequenas. E tu irias pesá-las antes de as colocar na pá e levar ao forno. Vês avô como nunca me vou esquecer? ♥
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Quantos fazias hoje?
Eram 90 anos que fazias hoje avô. Não me esqueci, nem nunca me esquecerei de que os tinhas apenas nos documentos. Apenas esses e depois de fazer contas, o atestavam. És um eterno menino! O eterno menino de brilho nos olhos. O pés descalços que me mostrou que o chão é o melhor sapato. Os sonhos de gente boa que tinhas em ti. E ainda aqueles que me fazem orgulhar. Aqueles que sonhaste e que concretizaste. E aqueles que concretizamos juntos! Sabes que o resto está acamado no meu coração, para que te ame e não te sinta a falta se é que isso é possível, que apressando resposta, não o é! Mantém-te bem, mantém-te menino! Mantenham-se a luz maior que qualquer outra!
terça-feira, 6 de maio de 2014
Os dias com cheiro a café! ♥
Sempre gostei do cheiro a café. Embora que não seja deste café o cheiro característico da minha infância. O cheiro da minha infância, é cheiro a café de cevada, feito numa cafeteira ao lume. A fogueira era acesa bem cedo, tão cedo quanto o meu avô se levantava, era madrugada. Um lume controlado, uma cor de fogo meiga, com a cafeteira em cima, e a sardinha ao lado a assar para comer com a broa do dia anterior, quando sobrava daquela que o meu avô cozia. Raro era o dia em que havia broa que parasse naquela casa. Do meu cheiro a café, do meu cheiro a infância, guardo ainda as canecas de esmalte antigo, em que bebia o café de cevada com mais açúcar que o próprio açucareiro. Guardo o primeiro pequeno almoço em minha casa, e o segundo em casa dos meus avós. Com o "deixa a menina". A cadeira do meio, era minha, lá me aguentava com as perninhas à chinês. Dos dias com cheiro a café...
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domingo, 13 de abril de 2014
As bloggers propriamente ditas e as que escrevem umas patacoadas!
As bloggers propriamente ditas, têm adoptado cães. Um Manolo, um Mojito, um Sal. As que escrevem umas patacoadas, como é o meu caso, adoptam gatos. Nestes anos de vida, não me lembro de ter passado confiança nem a cães, nem a gatos. Tive uma quantidade avultada de peixes, que têm uma resistência para cima de espectacular nas minhas "mãos" e tenho uma tartaruga com alguns 13 anos de casa. Sinto que criei um género de tartaruga ninja, mas ainda sem definição de cor para venda dos olhos.
Agora por circunstâncias da vida, adoptei um gato, o gato do meu avô. Branco, gordo, amoroso, e mimado. Já me rebolei no chão com ele, e já fiz exactamente aquilo que considerava extremamente parvo fazer quando via os outros fazê-lo. Gosto do animal! Para espanto das damas de humor que ontem acharam ser uma piada eu ter um gato só meu. (Isto ao ver as minhas mãos mais arranhadas que um rato após uma luta com um gato.)
Agora por circunstâncias da vida, adoptei um gato, o gato do meu avô. Branco, gordo, amoroso, e mimado. Já me rebolei no chão com ele, e já fiz exactamente aquilo que considerava extremamente parvo fazer quando via os outros fazê-lo. Gosto do animal! Para espanto das damas de humor que ontem acharam ser uma piada eu ter um gato só meu. (Isto ao ver as minhas mãos mais arranhadas que um rato após uma luta com um gato.)
sábado, 12 de abril de 2014
Carta aberta ao meu avô!
(Não esperem disto, uma coisa bonita ou uma coisa que vos deixe com um sorriso na cara.)
Avô,
Ainda não fez uma semana que partiste fisicamente, e desculpa se esta carta é prematura. Sabes os sonhos que tenho em mim. Sei os sonhos que sonhavas por mim!
Há três semanas, quando me disseram que o teu estado era crítico, o meu Mundo desabou, eu desabei em lágrimas. Eu desfiz-me. Eu tornei-me naquilo que merecias que eu me tornasse. Uma bica de lágrimas. Uma fonte de choro. Eu tornei-me naquilo, que tu nunca pediste, mas que o meu coração precisou. Precisou de sofrer, pela pessoa que sempre foste e sempre serás para mim. Foste um dos Homens, que esteve a meu lado 23 Primaveras e que as mereceste estar. Merecias muitas mais. Mas não pude ser egoísta. E se houve momento em que o pude mostrar, foi este, foi agora. Foi o momento, em que pedi para que não sofresses mais. Assim como tu (como vocês) nunca me quiseste (quiseram) ver sofrer a mim, eu também nunca te (vos) quis ver sofrer a ti (vocês)! Partiste porque a vida é breve, e frágil. Tenho a certeza que aquilo que me deixaste, foi o correcto, e é nisso que vou acreditar, para me levar daqui em diante, para que não sinta que a raiz da minha vida se arrancou por completo da terra. Deixaram 3 flores, 6 frutos, e uma infinidade de folhas verdes. Um dia, todos iremos amadurecer, e todos iremos acabar por cair. Mas quero acreditar, que iremos saber cair como tu (como vocês), com toda uma vida de trabalho, e de lutas travadas! A minha próxima vitória, nunca me dará tanto saber, como crescer contigo (com vocês), mas de certo te dará orgulho! Obrigada Avô!
Avô,
Ainda não fez uma semana que partiste fisicamente, e desculpa se esta carta é prematura. Sabes os sonhos que tenho em mim. Sei os sonhos que sonhavas por mim!
Há três semanas, quando me disseram que o teu estado era crítico, o meu Mundo desabou, eu desabei em lágrimas. Eu desfiz-me. Eu tornei-me naquilo que merecias que eu me tornasse. Uma bica de lágrimas. Uma fonte de choro. Eu tornei-me naquilo, que tu nunca pediste, mas que o meu coração precisou. Precisou de sofrer, pela pessoa que sempre foste e sempre serás para mim. Foste um dos Homens, que esteve a meu lado 23 Primaveras e que as mereceste estar. Merecias muitas mais. Mas não pude ser egoísta. E se houve momento em que o pude mostrar, foi este, foi agora. Foi o momento, em que pedi para que não sofresses mais. Assim como tu (como vocês) nunca me quiseste (quiseram) ver sofrer a mim, eu também nunca te (vos) quis ver sofrer a ti (vocês)! Partiste porque a vida é breve, e frágil. Tenho a certeza que aquilo que me deixaste, foi o correcto, e é nisso que vou acreditar, para me levar daqui em diante, para que não sinta que a raiz da minha vida se arrancou por completo da terra. Deixaram 3 flores, 6 frutos, e uma infinidade de folhas verdes. Um dia, todos iremos amadurecer, e todos iremos acabar por cair. Mas quero acreditar, que iremos saber cair como tu (como vocês), com toda uma vida de trabalho, e de lutas travadas! A minha próxima vitória, nunca me dará tanto saber, como crescer contigo (com vocês), mas de certo te dará orgulho! Obrigada Avô!
segunda-feira, 7 de abril de 2014
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Não tem preço!
Estar a sentir o cheiro da minha infância, o cheiro a broa cozida, o cheiro da broa amassada pelas mãos do meu avô, agora com 89 anos.
sábado, 12 de outubro de 2013
E enganam quem?
O meu avô, de 89 anos, pessoa com excelentes capacidades cognitivas, principalmente para a idade que já é alguma, ao ver na televisão, no programa "Não há bela sem João" tanta rapariga loira, diz: "Tanto cabelo loiro mal pintado. Por baixo preto, por cima loiro. Não dá para enganar muito tempo. Só dois dias ou três e depois já se nota bem que não é a cor delas."
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Tratam-se de acordares!
Pode haver quem tenha mau acordar, quem acorde e necessite de calma, quem acorde e se espreguice vezes sem conta a ver se o relógio volta para trás, e lhes dá tréguas durante uns minutos, nem que sejam dois ou três. Eu acordo bem disposta, logo com energia, logo com movimento, logo com música, preciso mais de música que de pequeno-almoço. Não é normal nos meus últimos dias de férias, acordar tão cedo, mas houve quem precisasse da neta. E enquanto houver quem me chame neta, e a quem eu possa chamar avô, que nenhuma cama espere por mim. Portanto, levantei-me da cama, mais cedo que noutro dia qualquer e dei de caras com a música que o meu amigo J. publicou. E a música deve ir na vigésima vez de replay no meu computador. E sem exageros! Bom dia!
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