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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Aos dias que passam. Aos dias que ficam.

Estamos na época dos figos. Eu vejo-os nas fotografias e nas mesas de outros. E eu também os tenho na minha. (mas...) Não são os teus. Não os quero, não os como. São-me levados com carinho e aceito-os com gratidão. Mas não são os teus avô.  Já te tinha dito?
Queria poder subir à placa com o vosso olhar de medo. Sei agora vê-lo (não via). O vosso olhar era apesar do medo, um olhar seguro, e eu era segura por vos ter ali a darem-me certeza das minhas certezas (ou nas que eu acredito). Uso um  pleonasmo para vincar tudo aquilo que vocês foram um dia  e duas das coisas que vocês serão todos os dias para sempre: Segurança e certeza na minha vida. A figueira tapava a placa frágil, os ramos apoderavam-se a pouco e pouco dos pequenos degraus que me faziam chegar a ela e eu insistia chegar lá para poder comer figos pingo de mel directamente da árvore. Desde que não tenho o vosso olhar para me ver subir, que não lhes tomo o sabor, que os olho com saudades, mas talvez sejam estas apenas vossas, nunca deles. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

[Acredito em finais felizes]

Sabem a casa onde viveram durante mais de 60 anos? Sabes avó a casa que já era do teu pai? Aquela onde criaste o teu irmão como se teu filho fosse quando a Guerra quase o levou. Sabes avô aquela onde entravam todos os dias dezenas de pessoas à tua procura? Aquela onde tu viste os teus filhos crescerem. Sabes avó aquela cafeteira já negra de tanto uso? Aquela onde tua fazias a melhor cevada que eu alguma vez bebi. Sabes avô aquele jardim que tu mantinhas florido todo o ano? Aquele onde delimitavas o espaço com canas para eu não estragar uma única flor. Sabes avó aquela broa frita que tu me fazias com a broa que sobrava? Aquela que eu nunca comeria se não fosses tu a fazê-la. Sabes avô aquela gamela onde tu amassavas a massa da broa? Aquela que eu tanto queria para brincar como se fosse plasticina. Sabem avós esta casa onde vivemos tudo isto? Onde fomos sempre tão felizes? Não é nada do que já foi um dia. Sabes avó, começou por ruir quando te mudaste da terra para o céu. Sabes avô, ruiu por completo quando chegou a hora de também tu te mudares. Acredito que seguiste as pisadas da pessoa que amaste durante uma vida e acredito em finais felizes.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Eles são o que eu acreditar.

Primeiro, pensei em não tocar neste assunto este Natal. Mas na verdade, acho que preciso de o fazer. Todos os anos, de há 4 anos para cá, que lhe toco, que me toca. No coração, na alma, nas lembranças, na memória. A minha avó agora vive lá em cima. A minha avó é uma estrela. A minha avó é um anjo. A minha avó é aquilo que eu acreditar que ela é- porque eu sei quem ela sempre foi.
Quis este ano trazer também a ausência do meu avô neste dia. O meu avô agora vive lá em cima. O meu avô é uma estrela. O meu avô é um anjo. O meu avô é aquilo que eu acreditar que ele é-porque eu sei quem ele sempre foi.

[posso entender. mas não tenho que aceitar.]

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Sobre o Porto do Coração.

O Porto (de abrigo) do meu coração, é, e será sempre a minha infância feliz. Hoje, sou feliz. Ou talvez pense que o sou. Na minha infância tenho a certeza de o ter sido. Até o portão. Até esse que ainda hoje é o mesmo, na minha infância me fazia mais feliz do que aquilo que me faz agora desde Abril. Abria. Todos os dias. A hora podia não ser a mesma todos os dias, mas abria. Agora não abre. O meu sorriso ia ao encontro de quem me esperava. Agora já ninguém me espera. O meu tom de voz subia porque estava no que era meu. Agora já não o é. O meu amor por vocês nasceu ali mas é a única coisa que continua a crescer à medida que eu cresço também. Aos meus avós.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Break a Leg!

Comecei a manhã a ler mensagens exactamente com este conteúdo: "Break a Leg". Talvez no mundo do teatro a palavra fosse outra menos soft afirmavam as pessoas que as enviavam. Mas a mensagem foi transmitida. Cada um com a sua maneira de ser, cada um do seu jeito único, respeitaram o meu pedido de não estarem presentes e a minha vontade de não saberem as horas. Felizmente, apesar de tanta exigência da minha parte, nunca o de me esquecerem. E foi assim que no meio de uma semana de trabalho, uns dias de ausência no mundo, muito cansaço, grandes olheiras, e algumas angustias, se concluiu uma etapa de 5 anos! Daquelas mesmo importantes. Daquelas em que tenho a certeza que o "para sempre" impera! Um mestrado concluído, e uma vitória entregue a quem de direito.


E um Obrigada a todos quantos acreditaram!


terça-feira, 15 de julho de 2014

Pensamentos que se me vão na alma.Estas arrelias de quando em vez.

Todas as pessoas quantas vejo e que acho que possam ter idade para serem meus avós, eu desejo. Sim, desejo mesmo! DESEJO com sentimento profundo e verdadeiro. E quero, não quero porque queira saber como é ter, quero por saber tão bem o quanto foi (é) bom ter.
Sim, é uma inquietação que tenho em mim, uma dor, um problema que para aqui vai. Não há volta a dar-lhe. Esta saudade! E aquelas conversas de que eles já tinham alguma idade, é a lei da vida, antes eles que tu que és mais nova, e tens uma vida pela frente, não me ajudam, esqueçam lá a coisa, não me ajuda, e já abomino terem esse tipo de conversas comigo.
Eu só queria tê-los em corpo vivo, ao meu lado, ao pé de mim. A sorrir pelo meu sorriso, a passar-me as mãos pelos cabelos, sem querer saber se estavam espigados, se tinham amaciador, ou se levavam o produto XPTO para parecerem mais bonitos.Queria ouvi-los ralhar se eu fizesse asneiras, só para depois os voltar a ver derreter pelo meu sorriso mesmo que maroto pela asneira feita.
Sim. Nunca deixarei de me sentir nostálgica no que toca a este assunto. 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Feira dos 30.

Na Vila onde eu moro ao fim-de-semana (agora só ao fim-de-semana) há a Feira dos 30. Nao tem segredo nenhum ser chamada Feira dos 30 para além do dia a que se realiza, mas tem essência, para mim. Desde sempre que gosto de ir, mas desde sempre que vou só quando o dia 30 calha a um fim-de-semana. A ida à feira não justificava a falta à escola. Nem as minhas nem as da M. para ir comigo. Hoje foi dia 30, dia de semana, e a M. meia de férias, foi há feira. Fez-me pensar, que cada vez mais, eu vou cada vez menos apesar de há semana nunca ter ido. Mas durante a semana trabalho, e ao fim-de-semana tenho cada vez menos tempo para amar tanto que tenho e tanto que amo. Sempre que ia tinha uma compra certa. Eram 4 natas, uma para cada um lá de casa, e 2 cavalos (bolinho fofo dessa forma), um para cada um dos meus avós. E dizia que "tinha" uma encomenda certa, porque agora já não o é. Ficam 2 cavalos por comprar. Porque há mesmo coisas que se vão perdendo. Primeiro os avós, depois as idas à feira, e depois a encomenda certa. Porque a vida, é incerta.

domingo, 8 de junho de 2014

[Aos meus avós Maternos ♥]

Deitei-me no chão da rua, a precisar de sentir a serenidade do ambiente e o ar da natureza, a cor das flores e a tranquilidade do amor. De respirar fundo e de me lembrar de força. Olhei para o Céu que parecia mover-se, a um ritmo tão acelerado quanto a vida. Era capaz disso. As nuvens dançavam sincronizadas com os minutos, e passavam aceleradas. Passaram por mim os momentos de forma tão rápida, que lhes consigo sentir as saudades. As saudades da protecção do colo, as saudades da leveza dos beijos, as saudades da melodia das palavras, as saudades do carinho dos mimos. E sobretudo as saudades da força deles, implícita nos meus gestos, e na pessoa que sou hoje. Aos meus avós, que me fazem ter mais saudades deles que de tudo o resto na minha vida. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

As portas da minha infância!

Aqui se fecha, e aqui se abre a minha infância! Aqui se fecha, e aqui se abre o Ciclo. Aquele Ciclo em especial. Aquele que foi, até agora, o uníco dos Ciclos que me deixou plena felicidade. Que me deu força e me agarrou à vida. Não que os outros Ciclos tenham sido maus, mas têm sido diferentes. Não que tenha sido infeliz depois, nem que o esteja agora. Mas neste Ciclo, eu era criança, e cresci com este portão assim, nesta posição. Aberto durante todo o dia. Todos os dias de madrugada, bem cedo, lá se abria ele, e ficava assim até de noite, bem tarde. Por trás do portão, saltava e corria eu pelo patio fora. Sorria e ria, no meio dos meus! Dos que foram, e são, o meu povo. Atirava milho às galinhas e às pombas, sem medo do voar. Cresci, por trás dessa entrada, adornada com flores, e verdes, bem regados. Com amor e dedicação. Nessa altura com o portão pintado de vermelho vivo, hoje em dia, de vermelho ferrujento. Não pintado assim por nossa vontade, nem pela nossa mão, mas pela alma do tempo. Levou a vida daquela casa, como levou a tinta do portão! Desbotou tintas e paredes, e pedras, e jardins, e flores, e as conversas que lá se tinham. Levou a cima de tudo, uma das pessoas que mais me ensinou a crescer. E essa, passe o tempo que passar, não perde a cor na minha cabeça, e muito menos no meu coração!