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terça-feira, 3 de junho de 2014

Eu, os Apartamentos, e as Coisas.

Sim, já me queixei da falta de espaço para estender a roupa nos apartamentos, já me queixei da falta de espaços abertos, e para já, vou queixar-me de mais uma coisa. Quando me lembrar, quando quiser, ou quando me apetecer, vou queixar-me de outra. Nisto dos apartamentos não há queixas que acabem! Para mim, que gosto da liberdade dos espaços verdes, dos que têm flores plantadas a nosso gosto, dos que têm árvores com fruta suficiente para nós, e de colher as ervas aromáticas na hora de serem usadas, os apartamentos são outra dor de cabeça. Como (in)felizmente passo a semana afastada do que posso considerar a minha casa de campo, quero cada vez mais aproximar a minha "casa da cidade" à minha zona de conforto. Comecei feliz da vida, com os vasos em tons de branco, queria uma cor neutra, para que não tivesse que combinar com isto, para que não tivesse que combinar com aquilo, porque assim, combina com tudo. Muitas suculentas plantadas. A crescer de bem com a vida. Viradas para o sol e a darem rebentos. Depois dos brancos, já arrisquei nos vasos cor-de-rosa para dar um ar de que não fica bem aqui nem em lado nenhum que seja meu, mas eu gosto deles e quero-os. Muitas margaridas plantadas. Agora, chegou a vez das ervas aromáticas, plantadas em vasos de barro, estes sim, giros e intemporais em qualquer espaço. Resta-me esperar que nasçam e que as possa colher na hora de as usar! Com a minha zona de conforto cada vez mais próxima, já só me faltam umas árvores de fruto aqui, para que esta seja o mais parecida possível.

segunda-feira, 24 de março de 2014

(O silêncio, tem sempre uma razão de ser)

Queria poder crepir mágoas, daquelas mágoas passageiras. Daquelas que crepimos sem razão, daquelas que têm que ser crepidas, para que tudo tenha um bocadinho de agitação e se quebre o silêncio. Queria poder dizer, que a minha mágoa, era uma qualquer banalidade. Desta vez, não há qualquer tipo de banalidade escondida nesta ausência. Há sim, um grande motivo, pelo qual estou em silêncio, pelo qual estou calada em mim, e a apoiar-me nos meus! E este, é o mais forte. Mais forte que todos e qualquer um. As maiores facadas que a vida me podia ter dado, já deu, achava eu (queria acreditar), porque dessas já tinha a dor curada, porque dessas já estava livre de sobresaltos, e dessas facadas até às próximas, seria um longo caminho, e um caminho que eu saberia percorrer. Com maturidade, com força, com visões de margaridas e erva macia. A verdade, é que os caminhos que percorro agora, não são esses. Não são de todo, esses. Os de agora, são os mais aridos, os mais duros. Sei agora, não pensar em longos caminhos, contar cada segundo, dar valor a cada nano-segundo, porque todos contam, para que o coração dele, aguente. Para que o coração dele, saiba ser forte, para que supere os danos, através do amor, daqueles que criou. Daqueles, do qual ele é, a raíz. Como se fosse a minha familia, uma árvore, como se fosse ele a raíz, os filhos as flores, e nós, os netos, os frutos. Frutos daquilo que eles plantaram. Um amor, sem fim. Guardo agora, guardo já, a saudade do teu coração, sem sobressaltos.