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quarta-feira, 13 de maio de 2015

[Bom dia]


Há dias em que a corrida para viver começa logo pela manhã. (O tempo parece correr sempre mais que nós). Nesses dias não me é permitido namoros com nada daquilo que a vida me oferece. E faz-me falta. Sinto-me ingrata. Outros há, em que o tempo me abona. Namoro cada pedacinho do meu pequeno-almoço, respiro calmamente a tranquilidade do dia, e a calma do meu lar. Na minha mesa, as primeiras cerejas desta época.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

[No meio deste namoro]


Às vezes fico entre este namoro e o outro. Este namoro que exige de mim atenção, equilíbrio, contenção e medida nas palavras. Este amor que é feito de um esforço desequilibrado e que eu vejo crescer com a mesma magia de uma bola de sabão. Amo-te afilhada.

domingo, 3 de maio de 2015

[Filha és, mãe serás]

Ela comprometeu-se a ser minha mãe. Todos os dias. Desde o primeiro dia que me soube dentro dela. E eu, prometi-lhe no silêncio dos dias, sem que ela se apercebesse, que cuidaria dela.
Passo os dias a namorá-la. Afasto-lhe os fios de cabelo que sei de cor, dou-lhe beijinhos e digo-lhe o que sinto. "Gosto muito de ti". Namoro-lhe a pele, as marcas do tempo, e mordo-lhe as bochechas a medo. Ela vai ralhar. Não gosta que eu o faça. Brinco com ela. Desafio o espaço que ela já me ensinou a não ultrapassar. Eu ultrapasso, ela faz cara feia, e eu volto ao meu namoro. Brinco com os cabelos dela e digo-lhe "gosto muito de ti". Ela desfaz-se, eu desfaço-me. E o colo dela continua a ser o melhor sítio para eu me desfazer. Obrigada por seres minha. Todos os dias.