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quarta-feira, 6 de maio de 2015

[Há sempre um parágrafo]

Já disse, já escrevi, já repeti. Às vezes faço as malas sem ter destino ou viagem marcada e desfaço-me das coisas que já fizeram um dia parte de uma das passagens da minha vida. Não me alivia o espaço físico, mas alivia-me o espaço da alma. A alma, apesar de um disco de grande capacidade, sobrecarrega. Já disse, já escrevi, já repeti. Não há nada que não tenha um fim. Coloco mais um ponto final. Mas estou certa, tão certa de que haverá um parágrafo.
Há sempre (mais) um parágrafo na história das nossas vidas.

terça-feira, 10 de março de 2015

[os dias do meu mês]*


*Esta fotografia tem tudo aquilo que sou todos os dias.
O meu sorriso. O meu olhar. As minhas rugas de expressão: Nos olhos. As minhas sobrancelhas irremediavelmente encaracoladas tal como o cabelo. A minha pele branca. Os meus sinais. Do tempo. De vida. De nascença.

sábado, 27 de julho de 2013

E os VV!

Os Verões e as Vidas. Sejamos sinceros, todos nós ansiamos pelo Verão porque os dias são grandes, os dias são quentes, regra geral, ou pelo menos eram, e porque parece que ao mesmo tempo que queremos manter a linha, nos puxa para andar para aqui e para ali a petiscar daqui, e a petiscar dali.
Mas agora pensando bem, não querendo ter uma visão pessimista, uma visão negativa, uma visão crítica, uma visão "pobre de espírito", dou por mim a pensar nisto do Verão. Nesta febre que leva milhares de gente a rogar pragas ao inverno e a apelar ao verão e a tudo o que ele traz. Não, não pensem que tenho dor de cotovelo daquelas pessoas que abancam em hotéis de 4, 5 estrelas, estrelas michelin e por aí adiante, mas o que se passa é que o verão não é realmente aquilo que nos fazem acreditar que é, ou que em tempos foi. Não tenho muitos anos de vida, porque não tenho, mas já me apercebi, que isto não é tudo tão bom assim. Até termos idade para sairmos apenas e somente com os nossos "amiguinhos", vivemos o Verão como os nossos pais ou encarregados por nós, querem, depois começamos a passar o tempo de Verão com os nossos amigos. Vamos para aqui, para ali, lá está o que realmente se espera do verão, e o tempo passa. Vamos à festa x, à festa y, Cumprimentamos a pessoa A e a pessoa B.  Se não vamos a pé, vamos com a mãe da I e voltamos com o pai da J. Se não usamos a sainha azul com bolinhas amarelas, usamos a sainha com as risquinhas azuis e verdes, e se não almoçamos às 2h, almoçamos às 3h ou às 4h, e o que interessa é ir, e o que interessa é estar. Estar dias, estar tardes, e há sempre que fazer, e há sempre onde estar, e aí, os dias são tão grandes, e para nós tão pequenos. Hoje, vejo o verão como o Verão. É apenas e somente o Verão. Porque o tempo passou, porque nós crescemos, porque o tempo livre, escasseou, e as mudanças da vida, e as mudanças dos tempos, dos espaços, nos obrigou a que assim víssemos esta altura do ano. Porque ele trabalha, porque ela estuda, porque ele faz estágio, porque ela faz viagens de ida, sem querer voltar. E assim se tornam os verões, cada vez mais nossos, cada vez mais centrados em nós, naquilo que apenas nós gostamos, e não é por vontade, é por imposição das vidas. Não é que nos deixemos de divertir, de aproveitar, mas a diversão é diferente, e o aproveitamento parece-nos mais fraco, e não há nada que mostre o rendimento. O tempo não rende. E um dia, mais tarde, eu não vou querer ter para dar aos meus netos, silêncio, porque o tempo não rendeu...