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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

»Rumo ao Sol e ao Sul ♥«

«uma doce alegria percorre-me o corpo, ainda antes dos meus lábios se unirem para pronunciar a palavra sul, como um beijo ansiado. um sopro meridional que me anima e antecipa a palavra mágica, que me aquece o olhar e habita o olfacto de uma inexplicável doçura, como se dispensasse a necessidade de a pronunciar. o Sul continua a ser uma transgressão, que me sujeita ao sacrifício da travessia da ponte e exige o ritual da espera do ferry, para finalmente me escancarar o horizonte e entregar à volúpia dos mistérios. este Sul que eu amo e de que sinto uma necessidade tão prosaica como pão para a boca, só existe uma vez transposta a fronteira do rio, como ponte móvel que me une as margens interiores. entre uma e outra, fica a nostalgia da minha ambição apátrida, apenas vislumbrada quando as minhas costas selam os labirintos do Norte, para que o meu olhar se abandone à plenitude do Sul.»

Jorge Fallorca

sábado, 2 de agosto de 2014

E a vida é tão boa.

Primeiro dia sem responsabilidades. E a vida é tão boa. Um dia de regresso à infância. E a vida é tão boa. O pijama vestido. E a manta no chão. O corpo cansado e quebrado, descansa. Deixa-se o corpo livrar-se do cansaço da semana de trabalho, e da noite de diversão de ontem. Acabo de ler um livro, e admiro a capa do outro que espera que o comece a folhear. Não tenho crias que esperem os meus mimos, porque neste caso, ainda sou eu a cria que os preciso! Estou num miminho tão bom. Caio num sono. E a vida é tão boa. ♥

domingo, 29 de junho de 2014

Coisas que (não) digo sempre.

Se amanhã não gostar de ti, gostei hoje. Gostei ontem. Amanhã, se não um presente, teremos um passado. Os dois, em comum. Saberás que me sinto mais criança que nunca quando me passas a mão pelo cabelo e me olhas como um sábio que dá o melhor conselho ao seu aprendiz. Saberás que os meus olhos diminuem quando o meu cansaço aumenta, e saberás de tudo quanto preciso para que o descanso seja possível. Saberás sempre como se desperta o meu sorriso, e reconhecerás o som do meu riso. Acreditas que sou criança, que visto cor-de-rosa, e por vezes vou ao ballet. Por saber hoje, que te amo, e que ontem te amei, a maior das hipóteses é de que amanhã ainda te vou amar.