quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

a revista do meu ano de 2015

2015: fui diagnosticada com fibromialgia; mudei de emprego; recebi um carro e percebi o peso da responsabilidade dos impostos e dos seguros; subi na carreira e passo muito tempo a assinar documentos oficiais que me dão dores nos ombros; o meu irmão mudou de casa e eu sinto a falta dele; troquei muitas vezes a minha família por acções de solidariedade e ganhei novas famílias; descobri que não posso ser dadora de médula e foi a primeira vez que me apeteceu perguntar porquê; senti o que era estar embriagada de amor; aprendi a valorizar a educação e a sentir que não é um dado adquirido; viajei para fora e não fiquei com vontade de fazer disso vida; li muitos livros novos e reli outros; habituei-me a viver sozinha e ao silêncio que isso implica; passei muitas noites na varanda a beber gintonico e a contemplar as estrelas; tornei-me mais sincera; passei várias noites sem dormir; fiz directas; tomei pequenos-almoços de madrugada; acompanhei os meus em tudo aquilo que eles precisaram; engordei e não fiz disso um drama; habituei-me a não ter horas para chegar a casa; tive um acidente de carro; conheci pessoas muito boas e fiz amizades para a vida; comecei a decorar a minha casa; tive muitas e boas conversas; tomei muitas decisões; muitas certas e muitas erradas; aprendi a viver longe; comecei a passar muito tempo na estrada por motivos de trabalho; tive a festa de anos que desejei; vi alguns dos meus amigos mais próximos emigraram; realizei alguns dos meus sonhos e alguns dos sonhos alheios que adoptei como sendo meus; enervei-me várias vezes e mandei tudo aos arames; esqueci-me muitas vezes de responder às mensagens que me enviaram; nem sempre tive saúde; sempre tive fé; reatei laços; pedi um livro para começar a escrever a história do próximo ano. venha ele.

despida de tudo. desarmada do mundo.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

É desta que vou receber coisas boas do Natal até aos reis e mais além! #1


Obrigada Raquel!
United Kingdom

[Boa noite]

Tu escolhes o sentido da vida. ♥

É desta que vou receber coisas boas do Natal até aos reis e mais além!


Obrigada mãos de fada!
França 

Em Missão

No rescaldo do Natal e destas coisas todas quis muito ir passear a Fátima. Não sei se em forma de agradecimento, se em forma de reflexão ou se em forma de comemoração (ou se de todas elas). Foi um dia muito importante nesta minha missão - "fazer as pazes."

O Natal já lá vai. Lai Lai Lai Lai.

Caminho para as pazes. O Natal foi o que eu quis: A família junta. Éramos 7 à mesa. Já fomos bem mais mas também já fomos bem menos. Estou feliz. Gosto assim. A mesa cheia. A prova de que não sabemos fazer comer para poucos e que a comida dava para muitos. Delicio-me com o polvo frito e o que gosto mais no meio da bacalhau, é o ovo cozido. Nos doces não vou pelo tradicional e a única coisa que me convence é o bolo rei de chocolote. O quentinho da casa, o amor no coração - a tranquilidade de um lar cheio. Ainda não consegui perceber se mereço tudo aquilo que recebi mas estou eternamente grata por tudo e por todos os que caminham junto a mim. Estou na esperança de que vá conseguir agradecer. Venha o Ano Novo!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

A bela adormecida, é minha avó.

Há 5 anos atrás, no dia de hoje, por esta hora, já não te via há 24h. Despedi-me de ti na noite de dia 24 com um beijo e com uma promessa: a de voltar daí a pouco para te mostrar os meus presentes. A manhã estava fria e a mamã segurou-me por casa para ver se não adoecia no frio da rua. Por volta da hora de almoço, o telefone tocou com a denúncia com que nunca devia ter tocado. Não te sentias bem. Precisavas de ajuda. A mamã e o mano correram para junto de ti e pediram-na. O papá segurou-me quando soube que tinhas sido levada. Não fui a tempo de te mostrar os presentes nem de te beijar as faces uma e outra vez e vezes sem fim nesse dia. Ficaste no meio de batas brancas para seres cuidada e acabaste por adormecer durante esta mesma noite em que agora te escrevo, separada por cinco anos. Foi para sempre o teu sono. E ainda não acredito.